13,7 milhões de brasileiros trabalham sem carteira assinada: quanto isso custa hoje e na aposentadoria

O IBGE divulgou no fim de setembro os números mais recentes do mercado de trabalho. No trimestre encerrado em agosto de 2026, o Brasil tinha 13,7 milhões de empregados no setor privado sem carteira assinada. Muita gente ainda trabalha todos os dias para o mesmo patrão, cumpre horário, recebe ordens e, no papel, simplesmente não existe.

No mesmo período, 39,5 milhões de pessoas tinham carteira assinada, o maior número da série histórica. O emprego formal cresce, mas uma parte enorme dos trabalhadores continua do lado de fora.
O que você perde hoje
Quem trabalha sem registro costuma pensar só no salário do mês. O prejuízo está no que deixa de entrar sem que ninguém perceba.
Faça a conta com um exemplo simples: salário de R$ 2.500, dois anos de trabalho sem carteira.
FGTS: a empresa deveria depositar 8% do salário todo mês. São R$ 200 por mês, R$ 4.800 em dois anos.
13º salário: R$ 5.000 no período.
Férias com 1/3: cerca de R$ 6.600.
Só aí já passa de R$ 16 mil. Se a saída foi sem justa causa, entram ainda a multa de 40% sobre o FGTS (mais R$ 1.920 nesse exemplo), o aviso prévio e o seguro-desemprego, que sem registro o trabalhador não consegue pedir.
Cada caso tem seus próprios valores. O exemplo serve para mostrar a ordem de grandeza do que fica para trás.
O que você perde amanhã: a aposentadoria
Esse é o prejuízo que mais demora a aparecer e o que mais pesa.
Sem carteira assinada, a empresa não recolhe o INSS. Aqueles anos de trabalho não aparecem no seu cadastro da Previdência, o CNIS. Na hora de pedir a aposentadoria, o tempo simplesmente não está lá. Para muita gente, isso significa trabalhar anos a mais ou se aposentar com um valor menor.
Existe também um risco imediato. Quem adoece ou sofre um acidente sem estar registrado pode ficar sem o auxílio por incapacidade do INSS justamente quando mais precisa.
O tempo sem registro pode ser reconhecido. O INSS exige documentos da época para aceitar esse período, e por isso juntar provas faz tanta diferença.
Dá para provar, mesmo sem carteira
A lei olha para a realidade do trabalho, não só para o papel. Se havia horário, chefe dando ordens e pagamento todo mês, o vínculo de emprego pode ser reconhecido. Ajudam a demonstrar isso:
comprovantes de Pix ou transferências do patrão;
conversas de WhatsApp com ordens, escalas e cobranças;
fotos e vídeos no local de trabalho, com uniforme ou crachá;
colegas que trabalharam com você e podem servir de testemunha.
Guarde tudo, mesmo o que parecer pouco importante. Uma mensagem com o horário de entrada pode valer muito lá na frente.
Atenção ao prazo
Depois que você sai do emprego, tem 2 anos para entrar com a ação na Justiça do Trabalho, e pode cobrar o que deixou de receber nos últimos 5 anos de trabalho. Passado esse prazo, o direito se perde, por mais provas que você tenha.
Conte o seu caso
Se você trabalha ou trabalhou sem carteira assinada, vale entender o que aconteceu antes que o prazo corra. Na Molina Trindade Advogados, trabalhamos com Direito do Trabalho e Direito Previdenciário em São Paulo, olhando os dois lados do problema: o que você deixou de receber e o que isso significa para a sua aposentadoria.
Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp (11) 94174-5335. A análise do caso é gratuita.
Fontes: IBGE, PNAD Contínua, trimestre encerrado em agosto de 2026 (divulgação de 29/9/2026); Lei 8.036/90, art. 15 (FGTS); Lei 8.213/91, art. 55, §3º (prova de tempo de contribuição); Constituição Federal, art. 7º, XXIX (prazo).



Comentários